China levanta ban de importações de Frango Brasileiro após HPAI no RS. Análise técnica: exportações 2024/2025, perdas do embargo e projeções ABPA para o maior exportador global.

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China Libera Importações de Frango Brasileiro: Recuperação Pós-Gripe Aviária Impulsiona Setor em 2025

Brasília (DF) — Em um alívio estratégico para o agronegócio brasileiro, a Administração Geral de Alfândegas da China (GACC) anunciou nesta sexta-feira, 7 de novembro de 2025, o levantamento imediato das restrições às importações de produtos avícolas do Brasil, impostas há cinco meses devido a um surto de gripe aviária de alta patogenicidade (HPAI H5N1) em uma granja comercial no Rio Grande do Sul.

A decisão, baseada em análises de risco e auditorias recentes, reabre as portas para o maior comprador global de frango brasileiro, que em 2024 absorveu 560 mil toneladas do produto, representando cerca de 10% das exportações totais do país.

Com o Brasil mantendo o status de maior exportador mundial de carne de aves – projetado para 4,3 milhões de toneladas em 2025, um crescimento de 2% sobre 2024 –, essa liberação pode injetar até US$ 800 milhões adicionais na balança comercial brasileira, segundo projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Nesta análise técnica a equipe do TW ASPAS, irá mostrar o impacto do embargo, a resposta sanitária nacional e as perspectivas para um setor que movimenta R$ 90 bilhões anuais e emprega 4,5 milhões de pessoas.

O Contexto do Embargo: Surto de HPAI e Efeitos Imediatos

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A HPAI H5N1, transmitida por aves migratórias, tem taxa de letalidade de até 100% em aves infectadas e potencial zoonótico, com 59 casos humanos confirmados globalmente em 2025, segundo a OMS.

O ban chinês foi ativado em 16 de maio de 2025, logo após a confirmação do primeiro foco de influenza aviária H5N1 em uma granja comercial no município de Montenegro (RS), operada pela Granja Fênix. Diferente de casos anteriores em aves silvestres ou de subsistência, esse episódio – o único em granjas comerciais no Brasil até o momento – acendeu alertas globais. A HPAI H5N1, transmitida por aves migratórias, tem taxa de letalidade de até 100% em aves infectadas e potencial zoonótico, com 59 casos humanos confirmados globalmente em 2025, segundo a OMS.

A China, sensível a riscos sanitários devido a surtos internos de 2022-2023 que dizimaram 200 milhões de aves e custaram US$ 3 bilhões, suspendeu importações de aves inteiras, cortes, miúdos e ovos. A União Europeia seguiu, paralisando 20% das exportações brasileiras para o bloco.

O impacto foi imediato: entre maio e outubro de 2025, As exportações de frango do Brasil apresentaram uma queda de75355863 65d9 4727 9837 dcda89e8f73f12,9%12 vírgula 9 % 12,9% em maio de 2025 em comparação com o mesmo mês dedfc1f1e4 9eae 49ff 8362 9ecc374853d82024. O volume exportado foi de fb11f703 95b7 4941 95bb 546ad1a6f388393,4 mil toneladas. A queda foi atribuída a um caso de gripe aviária em uma granja comercial. 

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No RS, epicentro da avicultura sulista (30% da produção nacional), 15 granjas foram sacrificadas preventivamente, afetando 1,2 milhão de aves e gerando um rombo de R$ 150 milhões em insumos como milho e soja.

Dados da ABPA revelam que, de janeiro a julho de 2025, o Brasil exportou 2,4 milhões de toneladas de frango, uma queda de 5% ante 2024, com a China respondendo por apenas 337 mil toneladas (US$ 746 milhões) no período pré-ban, contra 560 mil toneladas anuais em 2024.

O consumo interno, que absorve 65% da produção (15,35 milhões de toneladas projetadas para 2025), ajudou a mitigar estoques, mas o preço ao produtor despencou 12% para R$ 4,50/kg, pressionando margens já apertadas (lucro médio de 8-10% em granjas integradas).

Resposta Brasileira: Vigilância Sanitária e Declaração de Zona Livre

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) agiu com rigor: o foco em Montenegro levou à eutanásia de 1,2 milhão de aves, quarentena em 10 km radiais e monitoramento sorológico em 500 granjas vizinhas.

Em 18 de junho de 2025, após 28 dias sem novos casos – critério da OIE (Organização Mundial de Saúde Animal, agora WOAH) –, o Brasil declarou-se livre de HPAI em granjas comerciais, comunicando a notificação à WOAH e a 151 mercados importadores.

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Auditorias foram cruciais: em setembro de 2025, uma delegação chinesa de 12 técnicos inspecionou 15 plantas frigoríficas no Sul e Sudeste, avaliando biossegurança, rastreabilidade e protocolos de abate (HACCP e ISO 22000). “O sistema brasileiro de vigilância ativa, com 2 milhões de amostras testadas anualmente, atende padrões internacionais”, afirmou o ministro Carlos Fávaro em coletiva. Até outubro, 17 países – incluindo Japão (terceiro maior comprador, 400 mil toneladas/ano) – liftaram restrições, restaurando 85% do fluxo pré-crise.

Mercado Global: Posição Inabalável do Brasil no Frango Brasileiro

O Brasil reina no comércio avícola: em 2024, exportou 5,294 milhões de toneladas, 30% do total global (17,7 milhões de toneladas), com receita de US$ 9,5 bilhões. Para 2025, a RaboResearch projeta crescimento de 2,8% na produção mundial, com o Brasil expandindo 2-3% para 15,35 milhões de toneladas, impulsionado por demanda no Oriente Médio (Arábia Saudita: 20% das exportações) e Ásia.

A China, com consumo per capita de 25 kg/ano (contra 45 kg no Brasil), representa 15% do mercado global e deve importar 1,2 milhão de toneladas em 2025, com o Brasil capturando 40% desse volume pós-lift.

O embargo expôs vulnerabilidades: dependência de poucos mercados (China + UE: 35% das vendas) e custo logístico (frete marítimo subiu 15% em 2025 devido a tensões no Mar Vermelho). No entanto, diversificação ajudou: exportações para Filipinas cresceram 25%, e o consumo interno, com 45 kg per capita (aumento de 2% vs. 2024), absorveu excedentes.

Projeções da ABPA indicam recuperação plena até dezembro: 5,4 milhões de toneladas exportadas, receita de US$ 10 bilhões, e produção de ração para aves em 18,9 milhões de toneladas no 1º semestre (queda de 5% durante ban, agora revertida).

Perspectivas e Desafios: Biossegurança como Prioridade

Com o lift chinês, o setor avícola brasileiro – que representa 14% do PIB agro (R$ 90 bilhões/ano) e emprega 1,2 milhão diretamente – ganha fôlego. “Gradualmente, todos os grandes importadores retomaram compras”, celebrou a ABPA, prevendo alta de 15% nas exportações para Ásia em novembro-dezembro.

No entanto, desafios persistem: biossegurança reforçada (R$ 500 milhões investidos em vacinas e monitoramento em 2025) e tarifas potenciais nos EUA (até 25% em 2026).

Globalmente, a produção de aves crescerá 2,8% em 2025 (RaboResearch), com Brasil e Tailândia beneficiando-se de 2% de alta nas exportações totais (13,8 milhões de toneladas).

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“O Brasil está pronto para reconquistar mercados com qualidade e transparência.” – Carlos Fávaro, Ministro da Agricultura.

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“Gradualmente, todos os grandes importadores retomaram compras”, celebrou a ABPA, prevendo alta de 15% nas exportações para Ásia em novembro-dezembro.

A REDAÇÃO.


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